
Quando
tentamos falar sobre vendas na indústria gráfica logo
pensamos naquela pessoa capaz de chegar ao extremo na conquista de um
novo cliente. Tentamos achar no mercado aquela pessoa que será
o super-herói, salvador dos nossos problemas de faturamento,
que será capaz de entender perfeitamente nossas ansiedades e
trará em pouco tempo resultados que não conseguimos em
anos de trabalho em nossa empresa.
Saímos à procura deste SUPER-HERÓI.
Perguntamos para nossos fornecedores, amigos e familiares, onde podemos
achá-lo e rapidamente aparece um candidato indicado por aquele
conhecido e que diz, "não
tenho experiência em vendas de produtos gráficos, mas já
trabalhei como gerente de banco e tive muito sucesso em vendas".
O candidato se apresenta muito bem vestido, com boa fala, experiência
de vendas, "mesmo não sendo
da área", e nós o que fazemos: não
perguntamos sequer o "por que" de ele abandonar
seu antigo cargo de gerente.
Acertamos a “ajuda de custo”, a comissão, as despesas
com veículo, etc. - e emocionados contratamos.
Há um grande alívio nos primeiros dias de trabalho. Acreditamos
que resolvemos nossos problemas e entregamos de corpo e alma nosso bem
mais precioso - AS VENDAS
- para este ser novinho em folha que será capaz de conquistar
“CLIENTES PROBLEMA”,
“NEGOCIAR COM GRANDES EMPRESAS”, “VENDER
TODA NOSSA PRODUÇÃO”,
satisfazer todos os nossos desejos, pois “ELE
LEVA JEITO!”.
A primeira pergunta que o novo vendedor nos faz é: “ONDE
PROCURO OS CLIENTES?” Cheios
de inspiração falamos que poderá buscar os contatos
no banco de dados do nosso sistema. O que não sabemos é
que este banco de dados está mais “furado” do que
as falas do Busch sobre a guerra no Iraque.
A secretária de vendas tira uma listagem interminável
de contatos e entrega na mão do nosso “VENDEDOR
SUPER-HERÓI”, e ele, empolgado com o volume
de clientes, vai à caça pelo telefone. É aí
que começamos perceber a realidade. Os números dos telefones
estão incorretos, os contatos já saíram da empresas
há mais de dois anos, muitas empresas faliram, etc. Um telefonema
após o outro e o nosso jovem se vê diante de uma lista
furada. Qual é sua reação? Ele chega até
nós e dá a triste notícia. Nós não
acreditamos muito e achamos que ele está querendo ser perfeccionista
demais. Então falamos para ele procurar visitar as agências
de propaganda e outras empresas, pelas Páginas Amarelas, pois
esta lista é atualizada.
UFA! Livramo-nos de um pepino grande colocando uma lista boa na mão
deste jovem e, agora sim, ele vai conseguir descobrir as vendas. PURO
ENGANO!
Ele vai visitar a primeira agência. Abre a porta de vidro e se
depara com uma recepcionista separando as correspondências do
dia. Muito simpático, ele a aborda e começa tentar falar
de seus serviços e o quanto ele deseja que a agência os
compre. Ela por sua vez o atende com sorrisos, recebe o folder da gráfica,
um bloco de rascunho, uma caneta, brindes, etc. e diz que a pessoa que
resolve este assunto não atende naquele dia e agradece sua visita.
Quando o nosso rapaz vira as costas, ela coloca todo aquele material
junto com as correspondências que vão direto para seu chefe.
O chefe está cheio de telefonemas e preocupado em resolver aqueles
problemas de última hora. A recepcionista resolve deixar aquele
material numa pilha de outros que também chegaram durante a semana
passada. E então sem saber de nada o nosso vendedor acha que
foi maravilhosa a visita. Relata que falou com a secretária da
agencia, e ela o recepcionou de maneira formidável e prometeu
entregar ao seu chefe todos os materiais promocionais deixados com ela.
Uma agência atrás da outra, uma indústria depois
da outra vai acontecendo o mesmo com o nosso HERÓI,
e ao longo de quatro meses continuamos empolgados com o volume de visitas
e contatos que ele fez e daqui para frente as vendas deverão
melhorar, pois foram feitos muitas promessas e também muitos
orçamentos e os clientes devem começar a comprar
os nossos serviços. Passam-se mais dois meses e percebemos os
mesmos números no faturamento. Percebemos que “ALGO”
está errado. “Por que as vendas não subiram?”
Depois de seis meses de trabalho do nosso “VENDEDOR
SUPER-HERÓI”, vamos até o nosso
sistema e tentamos achar quais foram os clientes novos que ele conseguiu,
o quanto foi vendido, quanto representou o custo deste investimento,
etc.
QUE TRISTEZA! Não
conseguimos quase que absolutamente nada, mesmo tendo executado
uma montanha de orçamentos. Aí começa
a cobrança de atitude. Chamamos o vendedor e damos um ultimato.
“Ou as vendas começam aparecer ou não vai
dar para continuar.”
Com a auto-estima baixa, desesperado e um pouco revoltado o nosso “VENDEDOR
SUPER-HERÓI” começa visitar as mesmas
empresas e falar com as mesmas pessoas tentando saber o porquê
da falta de utilização dos serviços gráficos.
Vai atrás de explicações e normalmente descobre
que falou com as pessoas erradas, de um jeito errado, com informações
erradas, etc. Frustrado, totalmente descrente e muito mais revoltado
ele resolve procurar outro emprego enquanto está trabalhando.
Vai atrás de outras gráficas que tenham um preço
melhor, pois imagina que já tem experiência suficiente
para mostrar seu trabalho e que não consegui resultados em função
dos “PREÇOS ALTOS”.
Depois de enviar seu currículo e fazer algumas entrevistas ele
consegue uma outra gráfica cujo diretor tem o mesmo sonho de
encontrar um “VENDEDOR SUPER-HERÓI”,
salvador de seus problemas de faturamento. Aquele que será capaz
de entender perfeitamente suas ansiedades e trará em pouco tempo
resultados que não conseguiu em meses de trabalho. Revoltados
e também machucados voltamos ao mesmo ponto de partida e ficamos
nos perguntado; “O QUE NÃO
FUNCIONOU?” - “O
QUE PRECISAMOS MUDAR?”.
Pois
bem meus amigos. Esta estória do “VENDEDOR
SUPER-HERÓI” se repete diariamente no grande
círculo da vida das empresas da área gráfica por
este Brasil afora e nos leva a SETE REFLEXÕES
importantes:
01.
Tudo está aberto a questionamentos,
frases como “sempre fizemos isso assim” serão
abolidas. O objetivo é melhorar as coisas,
não encontrar vilões.Todas as idéias
de todas as origens devem ser respeitadas.
02. NADA DE
RECLAMAÇÕES! Uma observação sem
um plano de ação, prazo
e dono responsável pela implementação
não passa de uma reclamação sem sentido.
03.
Serviços e Processos sempre serão importantes, mas não
suficientes se não tivermos pessoas efetivamente qualificadas
para vender.
04. Nossas gráficas
existem para CRIAR e CONSERVAR clientes,
não só para prestar serviços como a maioria imagina.
05. Os Serviços
são passageiros, os CLIENTES não. Isto
significa que, cada vez mais o ato de VENDER dependerá
de pessoas. São elas as principais responsáveis pela
CONQUISTA e MANUTENÇÃO de novos clientes.
Elas são responsáveis por até 75%
dos resultados da empresa.
06.
É importante reconhecermos que tudo que tem sido feito, na
maioria das vezes, não é mais suficiente.
O mercado muda constantemente, e nós mudamos muito pouco a
nossa forma de PENSAR e gerenciar VENDAS
na indústria gráfica.
07.
RePENSE tudo: Conceitos de CUSTOS,
VENDAS, PCP/PRODUÇÃO,
relacionamentos das equipes, relacionamento com o cliente,
COMUNICAÇÃO, etc. Comece agora!!!
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